Sabe aquelas pessoas que erguem a voz quando necessário? Que não só se indignam com algumas situações do cotidiano, mas também demonstram essa indignação, fazendo o possível pra mudar aquele pedacinho de realidade? Que sustentam, impassíveis, uma discussão? Que nunca sucumbem aos argumentos burocráticos daqueles que tentam nos calar pra evitar maiores transtornos, e que sempre nos vem com aquelas frases desanimadoras, do tipo “Porque é assim que funciona, minha Senhora”, ou “Sinto muito, mas eu não posso fazer nada porque tenho preguiça demais de melhorar as coisas por aqui”? Sabe? Essa gente que briga pelos seus direitos, ou pelo direito alheio, e que nunca aceitam quando as coisas fogem do aceitável, do razoável?
Então, eu admiro essas pessoas. Sempre aplaudi suas atitudes intimamente. Elas vão 'até o fim', elas dizem tudo o que (todos) deveriam dizer. Essas pessoas tem uma força que não tem nada a ver com o grau de erudição. A força delas vem da vida que elas levaram, das dificuldades que passaram, das coisas que viram, ou das experiências que tiveram.
Eu, muitas vezes, não vou até o fim, porque eu choro antes. É isso mesmo, eu choro. Não consigo me manter firme, impassível, austera. Não, eu perco a calma, e minha revolta me impede de continuar falando. Eu não ajo assim por medo de dar a cara a tapa, por acovardamento. É involuntário: a raiva é tanta quando vejo uma injustiça acontecendo, que depois de um tempo a única coisa que consigo fazer é chorar.
Isso não é legal. Minha indignação é tão grande quanto de todas as outras pessoas que tem princípios, (e eu gosto de acreditar que são muitas), tão grande quanto das pessoas que, de fato, dão a cara pra bater, mas eu simplesmente não consigo dar aquela lição de moral decente, não consigo fazer valer o que eu quero que tenha valor... Não consigo manter a calma ou a pose por tempo suficiente.
Não é que eu não sei quais são os meus direitos. Não é que eu não consiga identificar alguém querendo ser mais esperto que os outros. Muitas vezes, eu mesma me levanto e me rebelo contra alguém que fure fila, que jogue o lixo no chão, que humilhe alguém só porque teve um dia ruim... Mas nessas ocasiões, eu fraquejo. Minha voz fica embargada e eu fico tão estupefada com a situação, sinto tanta raiva, que dá vontade de chorar. E se isso não acontece lá, no calor da discussão, pode ter certeza que as lágrimas não se seguram por muito mais tempo.
Não é que eu não sei quais são os meus direitos. Não é que eu não consiga identificar alguém querendo ser mais esperto que os outros. Muitas vezes, eu mesma me levanto e me rebelo contra alguém que fure fila, que jogue o lixo no chão, que humilhe alguém só porque teve um dia ruim... Mas nessas ocasiões, eu fraquejo. Minha voz fica embargada e eu fico tão estupefada com a situação, sinto tanta raiva, que dá vontade de chorar. E se isso não acontece lá, no calor da discussão, pode ter certeza que as lágrimas não se seguram por muito mais tempo.
Tantas vezes eu vi essas pessoas fortes dizendo que deveria ser dito quando, sei lá, um velhinho é destratado na fila do INSS, ou quando o vendedor não se aproxima porque o cliente tá de chinelo, ou... Tantas outras situações em que pessoas ouviram o que mereciam por cometer injutiças horríveis assim. Ouviram porque tinha alguém lá pra dizer exatamente o que deveria ser dito.
Eu, na maioria das vezes, só aplaudi. Como queria ter sido eu a falar, a defender, a tomar frente da situação. Essa gente me dá orgulho. E me dá uma força que as vezes me falta. Uma força que me faz acreditar nas outras pessoas.
E que, acima de tudo, me faz engorlir o choro sempre que for necessário. É igual essa gente que eu quero ser quando crescer.

1 alguém?:
Mari, acho que sei bem o que é (e o quanto incomoda, quando não conseguimos/podemos expressar nossa revolta). E nem é preciso ser com a gente, ou com alguém próximo. Com desconhecidos mesmo. Basta ver o errado tomado como normal, a injustiça como coisa corriqueira, o 'é assim porque é assim mesmo", o "é errado, mas todo mundo faz".
Também não sei manter a calma quando deveria e, muitas vezes, minha reação é mais emocional do que racional, infelizmente. Gostaria de ter aquela fleuma britânica, inabalável, para atuar de forma mais racional (e de preferência, definitiva e positivamente) nestas situações. Um dia chegaremos lá... :)
um abração, e lembre-se: você consegue distinguir o erro e se indignar com ele... pense no contingente imenso que sequer percebe o quanto há de errado.
Ricardo.
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