segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Até a volta.

Depois de tanto tempo, o post é meio brochante, eu sei. Poucas linhas, porque o que tenho pra dizer não leva muito mais que isso.

O fato é que o último mês do semestre não será nada fácil, como outubro também não foi: tenho milhares de provas, trabalhos e artigos para serem feitos, e daí, claro, não vai sobrar muito tempo pra atualizar o blog como eu gostaria. No máximo alguns tweets, uns scraps e emails respondidos, um comentário rápido em um texto qualquer que me chame a atenção... Por aqui? Provavelmente nada: depois, em dezembro, restarão muitas páginas para serem lidas ainda. E claro, uma pausa para as festas de fim de ano, uma viagem com o namorado, etc. Porque dizem que eu também sou filha de deus, afinal.

Mas voltarei, nem que for pra desejar um 2010 ainda melhor do que o ano que tá acabando.

É isso, gente. Espero que esteja tudo bem com vocês, tanto quanto eu tenho estado. Um beijo bem apertado, que nem abraço. E até a volta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O meu 'Top 5' (antes tarde do que nunca).

"Se você pudesse escolher cinco pessoas (vivas ou mortas, reais ou imaginárias), pra conversar por três horas, quem seriam essas pessoas?
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(A conversa ficaria gravada na sua memória, mas não na das pessoas com quem você conversou. Ou seja, você não pode conversar com o Hitler e convencê-lo a não matar nenhum judeu. Outro ponto: linguagem não é uma barreira... a pessoa vai entender o que você diz e você vai entender o que a pessoa diz)".
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Desde que eu vi essa 'proposta' no blog do @andretaf, confesso que fiquei horas e mais horas pensando sobre as cinco pessoas com quem gostaria de falar. Essa pergunta me consumiu muito mais do que, sei lá, "o que você levaria para uma ilha deserta?". Fiz e refiz a lista, escrevi e rabsiquei, pensei e repensei, até que, finalmente, cheguei em cinco nomes com 'maior índice de certeza segundo eu mesma'. Não sei se vou pensar assim pra sempre, mas por enquanto é isso que eu queria:
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5 - Alvo Dumbledore: podem rir, mas ele era deveras sábio e incrivelmente humano. Obviamente falo do Dumbledore velho, de barbas prateadas e oclinhos em meia lua. Este tinha consciência de que o poder não lhe caía bem, mas foi exemplarmente generoso em dividir sua sabedoria, sua sensatez, sua humildade e seu brilhantismo com todos, especialmente com aqueles incubidos de liderar. O fato é que ele esteve disposto a melhorar seu mundo mesmo sem ganhar nada além de admiração e agradecimento. Acho que ele poderia fazer algo parecido por aqui, e nos ajudar, esse bando de 'trouxas'. Ora, se é pra fantasiar...
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4 - Simone de Beauvoir: o fato de ela ter sido filósofa e feminista bastariam para incluí-la na lista. Mas, por incrível que pareça, esses são apenas dois de muitos motivos que me fazem ter vontade de passar três horas apenas ouvido ela falar. Pra começar, ela conviveu com os maiores pensadores de seu tempo, o que significa que poderei ouvir histórias ótimas além de tudo. Tem também o fato de que ela foi uma mulher (muito) a frente do seu tempo: não casou, teve um relacionamento abertíssimo durante quase toda a vida e, mesmo assim, não dava a mínima para os olhares superiores de 'gente honesta' que a cercava. Pensando bem, três horas seriam pouco.

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3 - George Orwell: ele está na lista dos meus escritores favoritos, mas não é só por esse motivo que ele tá aqui. Caso assim fosse, eu não poderia deixar de incluir nomes como Machado de Assis e Gabriel García Márquez. Ocorre que, pra mim, estes transmitiram tudo o que quiseram e suas obras, de modo que perguntas são praticamente desnecessárias. O fato é que, tive que descartar esses e outros nomes para finalmente terminar essa lista mínima. Com George Orwell é diferente: eu leio e sinto vontade de falar, perguntar, divagar, etc. Começei com a "revolução dos bichos" quando tinha 16 anos, e logo emendei com '1984'. Ainda resta muito pra ler, claro, mas sem dúvida, seria uma conversa e tanto.
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2 - Maitê Proença: não riam, por favor: meu número dois é muito sério. Pra mim, é certo e indiscutível que essa mulher possui o segredo da beleza e juventude eternas e acho justo e razoável que ela divida isso com a gente, meras mortais que somos. Seriam três horas muito bem gastas. #momentomulherzinha.
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1 - Meu Avô: pai da minha mãe. Seria bom, bom demais, fazer mais uma visita ao escrtório proibído, ou mexer na máquina de escrever com muito medo de ser descoberta, ou brincar de serra-serra... Ou ganhar mais um abraço. Saudade.
 
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Ficaram de fora:
 
- Tomé: o apóstolo cético. Ele quase entrou, mas aí lembrei que o @andretaf já o incluiu na lista dele, então qualquer coisa é só perguntar depois. #esperteza.
 
- Hilter, Papas do mal, Ditadores e afins: duvido que eu conseguiria passar três horas initerruptas só xingando.
 
- A Pretty, minha cadelinha: não entrou pelo simples fato de ela não ser considerada uma 'pessoa'.
 
- Deus: ele entraria, mas eu teria que ter certeza que ele realmente existe exatamente como a bíblia o descreve. Como tenho sérias restrições quanto a isso, preferi deixá-lo de fora. Depois, de qualquer jeito, me lembre que - sendo ele onipotente, onipresente e onisciente - ele também não atenderia aos requisitos básicos de 'pessoa'.
 
- Capitu: de Dom Casmurro: quem me conhece sabe que minha curiosidade ultrapassa os limites da normalidade. Eu só queria sabe se rolou mesmo algo entre ela e o Escobar... Mas acho que a dúvida faz parte do charme do livro, então é preferível deixar as coisas como estão.
 
FIM.
 
PS: seria realmente uma bobagem perder tempo tentando mudar a história, né?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Silêncio e nada mais, obrigada.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A polêmica da Vovó das Havaianas.

Sempre gostei das propagandas da Havaianas. Talvez tenha tido uma ou outra que não tenha me agradado tanto, mas sinceramente, não consigo me lembrar. Quando penso nos comerciais dos chinelos mais queridos do Brasil, é o bom humor, a irreverência, e a criatividade que me vêem a cabeça.

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Não foi diferente com o comercial da Vovó. Quando vi pela primeira vez, achei o máximo: doce, divertido e inteligente, como deve ser. Quem não se lembra, pare a leitura e clique no link, please.
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E aí: legal, né? Mas muita gente detestou. Consideraram ofensivo, imoral. Talvez não tenham gostado do fato de uma senhora falar abertamente sobre sexo com sua neta (ou mesmo com suas amigas). Ou então, acharam absurdo a Vovó considerar válido que uma garota faça sexo antes do casamento, só para se divertir. Ou mesmo que uma garota, por si só, considere a possibilidade de transar sem compromisso. Ou ainda, o público tenha se chocado por conta de a Vovó ter avaliado o mocinho do comercial apenas pelos seus atributos físicos...
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Ok, devo respeitar a opinião alheia. E tem também a questão de que a Havaiana retirou o comercial do ar (agora disponível somente no youtube) por livre e espontânea vontade, levando em consideração a opinião dos seus consumidores, conforme foi explicado na 'resposta/explicação' da empresa nesse segundo comercial, igualmente estrelado pelo Vovó modernosa. O que, diga-se de passagem, foi uma tacada de mestre.
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Mas mesmo assim, eu não consigo 'não me espantar', e eu poderia citar inúmeros motivos pra justificar esse meu choque.
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Em primeiro lugar, todo mundo sabe que o mesmo público que assistiu e não gostou do comercial da Havaianas, é o mesmo que assiste e aplaude os comerciais de cerveja, que invariavelmente seguem a fórmula de quase nudismo e, ainda sim, passam no intervalo da TV Globinho. Por quê? Nudismo na sala de estar não fere a moral e os bons costumes da família brasileira? Ou não conseguem enxergar o apelo sexual presente? Ou mulheres que fazem comercial de cerveja podem ser objeto de desejo da marmanjada, enquanto estes não podem nem cogitar a idéia de que uma Vovó e uma Netinha, tão normais, falem (repito: falem, apenas) de sexo?
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Em segundo lugar, tem a questão da imagem das senhoras. Como é que fica, ó céus? As velhinhas que falam de sexo não terão mais autoridade perante a família e a sociedade. Elas deixarão de ser as pessoas mais puras, doces e inocentes da face da terra. Como poderemos olhar para as nossas avós e pedir bênção, depois de saber que elas falam - e até fazem - (ou, no mínimo, fizeram) sexo! ... Agora me diz: por que cargas d'água as pessoas insistem em imaginar que o caráter de uma pessoa – especialmente das mulheres – é inversamente proporcional a quantidade de parceiros sexuais que teve? É bem verdade que eu também não acho legal essa pegação gratuita que vemos por aí, mas isso é uma postura pessoal e, definitivamente, esse comportamento – assim como tatuagem, pircing, etc – não tem qualquer relação com a índole de alguém. Um coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: simples assim. E daí que uma avó fale de sexo? Ela vai continuar tendo a mesma autoridade pra puxar a minha orelha, ah vai.
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Por fim, proponho a seguinte situação. Ao invés da Vovó e da Neta, entram em cena o Vovô e o Neto, falando sobre uma banalidade qualquer. Eis que surge, magnífica, a Juliana Paes. O que vocês acham que iria acontecer? Vocês realmente conseguem imaginar o Vovô dizendo “é de uma garota assim que você precisa” e o netinho perguntado “pra casar, vovô?”. Claro que o garoto jamais perguntaria isso. Casamento nem passaria perto da imaginação dos dois. O vovô faria o estilo malandro, olharia pro neto com aquela expressão típica de dos homens quando vêem uma mulher bonita, dariam um sorrisinho... Eles estariam pensando em sexo, isso ficaria subentendido. Não se importariam se a Juliana Paes é ou não uma boa moça. Bastaria que ela fosse uma moça boa, e isso eles já saberiam que ela era. E a propaganda seria um retrato da realidade. Estranho seria se ambos vissem a Juliana Paes e começassem a planejar o enxoval do rapaz. ... Enfim, tenho certeza que ninguém protestaria contra um vovô malandro, ou com a Juliana Paes sendo avaliada fisicamente por dois homens, e todo mundo sabe que isso é verdade. Aliás, tenho certeza que vovôs malandros já estrelaram algum comercial, mas não consigo me lembrar de nenhum (claro). O que eu sei é que ninguém se chocou. A sociedade, além de hipócrita e conservadora até o tutano dos ossos, é extremamente machista (queria saber porque ainda me espanto com isso).
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Pois digo que eu adorei a mensagem passada pelo comercial das Havaianas, e mais ainda da resposta aos protestos moralistas. E torço, sinceramente, para que as pessoas se preocupem com o que realmente importa.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um pacto com a felicidade.

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Acho que todo mundo, quando era criança, ouviu aquela história: se o vento gelado soprar enquanto estiver fazendo uma careta, vai ficar assim pra sempre.
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Eu acreditava nisso.
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Mas mesmo assim, naquela época, quando eu tinha tardes quentes e compridas a disposição, sempre que o vento soprava forte e gélido - e isso não era incomum mesmo em Cuiabá, já que eu morava no 11º andar - a careta vinha. Involuntariamente. Os cachinhos atrapalhavam a visão e a minha primeira reação era cerrar as sobrancelhas, inflar as bochechas...
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Mas aí, subtamente eu me lembrava: tinha muito medo de que, se o vento passasse, ficasse carrancuda pra sempre. Tratava de estampar logo um sorriso na cara, ou uma expressão feliz qualquer. Imediatamente.
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Esse gesto, pra mim, significa muito mais do que um sorriso forçado. Sem nem imaginar, por conta de uma superstição infantil, estava firmando um compromisso comigo mesma: era uma jura à felicidade mesmo diante de futuros e incertos desconfortos e obstáculos.
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Afinal de contas, que é um ventinho gelado ante a força de uma tarde escaldante, ãn?